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5 de junho de 2026

Lula tentou evitar classificação de PCC e CV como terroristas pelos EUA e teme impactos diplomáticos

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oto: Kazuhiro Nogi e Jim

A decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras foi recebida com preocupação pelo governo brasileiro e abriu uma nova frente de tensão entre Brasília e Washington. Nos bastidores, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva atuou para tentar impedir que a medida fosse oficializada pela gestão de Donald Trump.

Segundo reportagens publicadas pela imprensa internacional e por veículos brasileiros, o Palácio do Planalto avalia que o enquadramento das facções como grupos terroristas pode gerar consequências diplomáticas, econômicas e jurídicas para o Brasil. A principal preocupação do governo é que a classificação amplie o poder de atuação dos Estados Unidos em temas ligados ao combate ao crime organizado na América Latina.

Pela legislação brasileira, PCC e CV são tratados como organizações criminosas voltadas ao tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e controle territorial. O governo argumenta que as facções não se encaixam no conceito de terrorismo previsto na Lei Antiterrorismo do país, já que não possuem motivação ideológica, política ou religiosa.

Integrantes do governo Lula temem que a medida abra espaço para maior pressão internacional sobre o Brasil, além de possíveis restrições financeiras envolvendo operações monitoradas por órgãos americanos. Há receio também de que bancos e empresas brasileiras passem a enfrentar fiscalização mais rigorosa em transações consideradas sensíveis pelos Estados Unidos.

Nos bastidores diplomáticos, autoridades brasileiras defenderam junto ao governo americano que o combate às facções já ocorre por meio de cooperação policial, investigações financeiras e operações integradas de segurança pública. O Planalto sustenta que o enfrentamento ao crime organizado deve respeitar a soberania nacional e seguir as regras previstas na legislação brasileira.

O tema ganhou dimensão política após aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro defenderem publicamente a classificação das facções como grupos terroristas. O senador Flávio Bolsonaro esteve recentemente em Washington e afirmou ter tratado do assunto com integrantes do governo Trump, incluindo o secretário de Estado Marco Rubio.

No entorno de Lula, a avaliação é de que o episódio antecipa o debate sobre segurança pública para a eleição presidencial de 2026. Auxiliares do presidente enxergam uma tentativa da oposição de transformar o avanço do crime organizado em um dos principais temas da disputa eleitoral.

Apesar da resistência do governo brasileiro, os Estados Unidos mantiveram a decisão. Com isso, PCC e CV passam a integrar a lista americana de organizações terroristas estrangeiras, o que permite bloqueio de bens, sanções financeiras e ampliação de mecanismos internacionais de combate às facções.

Especialistas em segurança pública avaliam que a medida tem forte peso simbólico e político, mas destacam que ela não altera automaticamente o enquadramento legal das organizações dentro do Brasil. Ainda assim, o episódio reforça a crescente preocupação internacional com a expansão das facções brasileiras para outros países da América Latina e da Europa.

TV Fontes e Fatos

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