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26 de maio de 2026

O que a janela partidária revelou na Paraíba – A política como ela é

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Imagem gerada por IA

Por Rejane Negreiros

A janela partidária fechou, mas deixou escancarado aquilo que Brasília já naturalizou e a Paraíba parece ter absorvido de vez: partido virou instrumento. E instrumento, na política, se troca.

O feriado tem tudo, menos descanso. Há um reposicionamento político em curso — e com método.

Movimento simbólico — e que ajuda a entender o momento — é a saída de Tovar Correia Lima do PSDB rumo ao MDB. Não é um gesto isolado, é sintoma. O PSDB, que já foi eixo de poder nacional e referência na Paraíba, hoje funciona mais como ponto de partida do que de chegada. Tovar não sai apenas de um partido; sai de um projeto político que encolheu.

E quando um político experiente troca de legenda às vésperas da eleição, não é por impulso: é cálculo de sobrevivência. MDB, hoje, oferece capilaridade, tempo de TV, musculatura municipal — e, principalmente, perspectiva.

O que à primeira vista parece um rearranjo pontual, tornou-se, na verdade, padrão.

Do outro lado do tabuleiro, Luciano Cartaxo faz movimento igualmente ruidoso: deixa o PT e aterrissa no Republicanos. A justificativa é protocolar — “ampliar caminhos”, “construir pontes” —, mas o pano de fundo é cristalino: viabilidade eleitoral.

Cartaxo sabe que política majoritária e proporcional se ganha com estrutura, não com nostalgia. O PT, na Paraíba, tem densidade, mas não necessariamente oferece o melhor arranjo competitivo para todos os seus quadros. Ao migrar, ele não rompe com Lula — faz questão de dizer isso —, mas reposiciona seu projeto pessoal dentro de uma engrenagem mais pragmática.

É o manual da política contemporânea: ideologia flexível, estratégia rígida.

Um terceiro movimento — menos barulhento, mas estrategicamente mais sofisticado — que ajuda a fechar o desenho: Pollyanna Werton.

A ex-deputada, que vinha do PSB, oficializou filiação ao PP e chega com objetivo claro: disputar uma vaga na Câmara Federal dentro de uma engenharia eleitoral competitiva.

Mas aqui entra um dado político que muda o peso desse movimento: o PP, hoje, não é apenas mais um partido no tabuleiro paraibano.

É o partido de Lucas Ribeiro, que assumiu o Governo do Estado após a renúncia de João Azevêdo para disputar uma vaga no Senado. É também a legenda liderada por Aguinaldo Ribeiro e Daniela Ribeiro, dois dos principais articuladores políticos do estado.

Ou seja: Pollyanna não está apenas mudando de sigla — está se posicionando dentro de um dos polos reais de poder da Paraíba neste momento.

E isso importa. Tudo é calculado dentro de uma estrutura que combina máquina estadual, articulação em Brasília e estratégia eleitoral de bancada.

E aqui está o ponto que muita gente ainda subestima: Pollyanna não é coadjuvante. Ela carrega quase 500 mil votos de uma disputa recente ao Senado e uma trajetória consolidada como prefeita, deputada e gestora estadual.

Ou seja: não é só mais um nome buscando abrigo. É um ativo político sendo realocado — e agora dentro de um partido com estrutura robusta, protagonistas de alto capital político, densidade eleitoral e recursos, ou seja, ambiente efetivamente capaz de viabilizar sua chegada ao cargo pretendido.

Em resumo, temos o seguinte: Republicanos cresce com quadros competitivos; MDB se fortalece como alternativa de centro com capilaridade; PP, agora ancorado no governo e com liderança consolidada, passa a operar com estratégia agressiva de bancada; PSB começa a perder peças relevantes; PSDB segue desidratando.

Isso não é desorganização. É reorganização, que segue a mesma lógica nacional.

Mais de 80 deputados federais trocaram de partido na janela — não por ideologia, mas por viabilidade. O critério deixou de ser “onde eu penso parecido” e passou a ser “onde eu tenho mais chance”.

Na Paraíba, isso ganha uma camada adicional: a disputa por nominatas fortes.

A eleição proporcional virou engenharia fina. Não basta ser competitivo — é preciso estar no lugar certo, com os nomes certos, na conta certa. E Pollyanna entendeu isso antes de muita gente.

Aliás, há uma ironia silenciosa nesse movimento.

Pollyanna, que até pouco tempo defendia a unidade do campo progressista, agora se reposiciona dentro de uma estrutura mais ampla e pragmática. Não é contradição. É adaptação ao sistema.

Porque, no fundo, ninguém está mudando por vontade. Está mudando por necessidade.

A política deixou de premiar coerência isolada. Premia eficiência coletiva.

E isso leva a duas conclusões duras — mas reais. Primeira: Partido virou meio, não fim; Segunda: fidelidade perdeu valor frente à viabilidade.

A pergunta que se impõe não é mais quem mudou. É quem ainda não mudou — e por quanto tempo consegue sustentar isso.

Na Paraíba de 2026, o recado está dado. Quem não entender o tabuleiro, vira peça.

TV Fontes e Fatos

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