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27 de maio de 2026

Alek Maracajá estreia coluna o Fontes e Fatos e lança alerta: o Brasil entrou na era da violência digital estruturada

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O Fontes & Fatos passa a contar, a partir de hoje, com a análise de um dos nomes mais consistentes quando o assunto é dados, comportamento digital e transformação tecnológica no Brasil. CEO da Ativaweb, vice-presidente nacional da Abradi, autor do livro Brasil Digital e pesquisador com atuação acadêmica, Alek Maracajá estreia sua coluna com um tema que não admite superficialidade: a violência digital como fenômeno estrutural.

E ele não chega com opinião. Chega com evidência.

O estudo recém-concluído pela Ativaweb DataLab, que embasa esta coluna de abertura, não apenas mede o crescimento dos crimes digitais no país. Ele demonstra uma mudança mais profunda: a consolidação de uma nova infraestrutura de violência, mediada por tecnologia e sustentada por comportamento coletivo.

Os números são expressivos, mas o diagnóstico é ainda mais contundente. Em 2025, o Brasil registrou 87.689 denúncias de crimes cibernéticos, com alta de 28,4%. A misoginia online disparou 224,9%, liderando o crescimento proporcional. Ao mesmo tempo, mais de 32 milhões de interações violentas foram identificadas nas redes sociais — uma escala que equivale a uma ocorrência para cada cinco brasileiros conectados.

“Não se trata mais de exceção. Trata-se de padrão”, afirma Alek Maracajá.

A principal leitura proposta por Alek Maracajá é direta: a violência digital deixou de ser episódica e passou a operar como sistema. “Hoje, não dependemos mais de indivíduos isolados. O que vemos são dinâmicas coletivas que envolvem linguagem, engajamento e validação social”, explica.

A análise semântica conduzida pelo DataLab identifica padrões recorrentes: termos como “expor”, “humilhar”, “destruir” e “cancelar”, que revelam algo além da agressão: revelam mobilização.

“A multidão digital não apenas reage. Ela participa”, pontua o pesquisador e colunista.

O que os dados oficiais não mostram

Outro ponto crítico levantado no estudo, e explorado na leitura de Maracajá, é a defasagem entre realidade e registro. O cyberbullying, por exemplo, aparece com apenas 452 boletins de ocorrência, enquanto pesquisas indicam que cerca de 58% dos jovens já foram vítimas desse tipo de violência.

“Os dados oficiais medem o que é denunciado. A análise de dados mostra o que realmente está acontecendo”, destaca Alek Maracajá.

A coluna também desmonta um equívoco comum: o de atribuir à tecnologia a origem da violência. “A violência não nasce no algoritmo, mas é nele que ganha escala, velocidade e poder”, afirma Maracajá.

Plataformas digitais operam por lógica de engajamento. E engajamento, na prática, privilegia emoção intensa: conflito, exposição, indignação. O resultado é um ambiente onde conteúdos violentos não apenas circulam, mas performam melhor.

Com a entrada da inteligência artificial, o fenômeno ganha um novo patamar. Deepfakes, manipulação de identidade e produção automatizada de conteúdo tornam a violência digital escalável e replicável em massa. “Estamos diante de uma nova infraestrutura de violência, agora potencializada por automação e inteligência artificial”, alerta o pesquisador.

O fator humano permanece

Mesmo com toda a mediação tecnológica, o estudo não perde de vista o elemento central: o comportamento humano. O ambiente digital reduz barreiras sociais, amplia o efeito do anonimato e estimula a desinibição.

“A internet não criou o lado sombrio; apenas deu escala a ele”, diz Alek Maracajá.

Nesse cenário, a reputação digital se torna um ativo frágil. Pode ser destruída em minutos e levar anos para ser reconstruída — quando isso ainda é possível.

“Hoje, qualquer conteúdo pode virar sentença. E a velocidade da destruição é muito maior que a capacidade de reparação”, observa o autor da pesquisa.

Leia Mais:

Violência digital no Brasil: estudo da Ativaweb DataLab revela nova estrutura de crimes online

Mais que tecnologia, um desafio civilizatório

A estreia de Alek Maracajá no Fontes & Fatos não poderia ser mais precisa. Ao deslocar o debate da tecnologia para o comportamento, sua análise aponta para o centro do problema.

“Não estamos falando apenas de redes sociais. Estamos falando de um novo padrão de convivência mediado por tecnologia”, conclui Maracajá.

E, em um país com mais de 160 milhões de conectados, escala significa poder.

A questão que fica para o leitor não é técnica. É política, social e, sobretudo, civilizatória: que tipo de comportamento estamos normalizando, e até onde estamos dispostos a ir como sociedade digital?

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