As fortes chuvas que atingem a Paraíba desde o início de maio seguem provocando impactos significativos em diversas regiões do estado, com milhares de pessoas afetadas, cidades em situação de emergência e mobilização de autoridades em diferentes níveis.
De acordo com dados do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, mais de 16 mil pessoas já foram atingidas pelos temporais, com registros de desalojados, desabrigados e ao menos duas mortes.
Os efeitos se concentram principalmente em municípios como João Pessoa, Conde, Bayeux, Campina Grande, Patos, Sousa e Cajazeiras, onde foram registrados alagamentos, deslizamentos e elevação do nível de rios.
Na capital, o volume de chuva chamou atenção das autoridades. Em apenas quatro dias, João Pessoa acumulou cerca de 320 milímetros de precipitação, índice superior à média histórica prevista para todo o mês de maio.
Diante do cenário, o governo estadual decretou estado de calamidade pública e criou uma força-tarefa envolvendo Defesa Civil, Corpo de Bombeiros, Polícia Militar e órgãos de infraestrutura para responder à crise.
Especialistas destacam que a diversidade dos impactos está relacionada às características geográficas do estado. O consultor da Defesa Civil da Paraíba, Ruiter Sansão, explicou que os efeitos variam conforme o relevo e a ocupação das áreas urbanas. “Dependendo da topografia, tivemos situações variadas”, afirmou, citando casos de enxurradas, enchentes e rompimento de pequenas barragens.
Ele também ressaltou a importância da atuação preventiva das equipes técnicas. “Montamos um grupo de trabalho para acompanhar áreas com maior risco. Isso permitiu agir com antecedência”, disse. 
Em nível federal, a resposta também começa a ser articulada. O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, cobrou agilidade na elaboração de um diagnóstico detalhado da situação para acelerar o envio de recursos às áreas atingidas. “Estamos unidos para mitigar o sofrimento da nossa gente”, declarou.
Além da Paraíba, estados vizinhos também enfrentam problemas semelhantes. Pernambuco e Paraíba somam dezenas de cidades em situação de emergência, milhares de desalojados e registros de mortes causadas por deslizamentos e alagamentos.
Apesar da redução momentânea no volume de chuvas em algumas regiões, autoridades mantêm o alerta. A previsão indica continuidade de instabilidades climáticas, o que exige monitoramento constante e atualização dos planos de contingência.
O cenário reforça a vulnerabilidade de áreas urbanas diante de eventos climáticos extremos e coloca em evidência a necessidade de políticas estruturais de prevenção, drenagem e ocupação do solo — desafios que se repetem ano após ano em diferentes regiões do estado.