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27 de maio de 2026

Rodrigo Freire é professor de Ciência Política e atual diretor do Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes (CCHLA) da UFPB. Foi presidente da Comissão Municipal da Verdade de João Pessoa. Nesta coluna, promove reflexões sobre política, democracia e direitos humanos

Do veto ao STF ao risco sistêmico: Jorge Messias e a engrenagem que ecoa 2016

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Jorge Messias durante sabatina no Senado / Crédito: Lula Marques/Agência Brasil

OPINIÃO | Por Rodrigo Freire

A rejeição da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF) sugere um script que lembra o Golpe de 2016 mas, talvez, conduzindo a consequências que podem ser ainda mais graves.

Por um lado, representa um sinal de desarticulação politica do governo no Congresso, com sinais evidentes de traição de parte da sua “base parlamentar”. Por outro, parece refletir um combo político que envolve:

1) enfraquecer o governo Lula e, consequentemente, a articulação da sua candidatura à reeleição;

2) emparedar o STF, enviando um recado à Corte de que impeachment de ministro pode ocorrer a qualquer momento – emparedamento, aliás, ao qual o Executivo Federal está submetido, desde o impeachment de Dilma;

3) por panos quentes sobre o caso Master, como o impeachment de Dilma fez com a Lava Jato, igualmente tendo o Centrão como principal beneficiado.

Em suma, tal como 2016, é uma engenharia comandada pelo Centrão, mas negociada com a extrema direita.

Um efeito direto do Golpe de 2016 foi o fortalecimento do Centrão, com o aumento da oligarquização da politica partidária/parlamentar, cuja principal expressão é a captura do orçamento público pelo Legislativo, com o aumento astronômico das emendas parlamentares, mas também com a ampliação do fundo partidário e do fundo eleitoral.

Já o efeito colateral do Golpe de 2016 foi a eleição de Bolsonaro em 2018 e o igual fortalecimento do “bolsonarismo” como movimento politico fascista que tenta minar a democracia brasileira por dentro das próprias instituições democráticas.

É certo que é real a possibilidade de retorno do bolsonarismo ao Governo Federal em 2027, e que a defesa da democracia passa pela construção de uma frente ampla com dois objetivos que, hoje, são indissociáveis: reeleger Lula e manter a democracia no Brasil.

É preciso muita atenção às ameaças políticas oligárquicas e autoritárias e reafirmar que, sim, parte expressiva do Congresso Nacional é inimiga do povo e da democracia no Brasil.

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